sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Aprenda a tirar o hábito da chupeta e da mamadeira do seu filho


De modo geral, é costume tirar a chupeta e a mamadeira a partir de 1 ano e meio e até os 3. Fazer isso pode representar uma perda para a criança – mas ela tende a sofrer menos do que os pais, que ficam morrendo de pena do filho. Não precisa ser assim. É possível vencer essa batalha em quatro passos – e poucas lágrimas de ambos os lados!

1. Assuma, seu bebê cresceu

Essas pequenas transições soam aos pais como uma perda. Sinais de que seu filho vai se entregando ao mundo, ou seja, que vai tornando “menos seu”. Racionalmente pode não fazer sentido, mas, emocionalmente, aceitar o crescimento da criança é a primeira batalha a se vencer. De fato, a chupeta está bastante associada à fragilidade do bebê, representa a necessidade dos cuidados dos pais. Enquanto a mamadeira tem o mesmo simbolismo do peito, no sentido de dar conforto e segurança. “Tirar esses hábitos não devem ser encarados como perda, pois não tem nada de prejuízo. É, sim, um benefício à criança. E, na verdade, a vida toda vai ser assim, com os pais mostrando ao filho o que ele ganha ao crescer”, diz Alessandro Danesi, pediatra do Hospital Sírio-Libanês (SP). E nada de ficar com pena! “Por que na hora de trocar a fralda pela cueca é bacana e trocar a mamadeira pelo copinho não? É o mesmo tipo de desenvolvimento”, diz Sandra de Oliveira Campos, médica do Departamento de Pediatria da Unifesp.

2. Vá aos poucos, mudanças acontecem gradativamente

Tanto a chupeta quanto a mamadeira devem ser tiradas aos poucos. Há especialistas que defendem que isso aconteça ao mesmo tempo, mas depende do que a família estiver vivendo. “Não seria muito bom, por exemplo, ser junto com o fim das fraldas, entrada na escola ou a chegada de um irmão”, afirma Luiz Guilherme Florence, pediatra e coordenador do grupo de estudos sobre desenvolvimento do Hospital Albert Einstein (SP). No caso da chupeta, o ideal é que, de início, seu uso se limite aos horários de dormir (inclusive as sonecas, sempre tentando retirar da boca da criança assim que o sono estiver mais pesado) ou quando a criança estiver diante de um grande estresse. Ou seja, sem essa de chupeta pendurada na roupa, na hora de brincar ou na cadeirinha do carro. Depois, é limitar para o sono da noite, até que venha o combinado de jogá-la fora.

Com a mamadeira, a primeira atitude é acabar com a mamada da madrugada – que, na verdade, nunca deveria ter existido. “Aquela ideia de quando o bebê chora no meio da noite é fome não é verdadeira. A partir dos 3 meses, a criança já não tem essa necessidade”, diz Luiz Guilherme. A segunda é introduzir o copo de transição para água e suco. Depois, usá-lo para dar o leite do lanche da tarde, se ele existir. Então, a mamadeira que sai é a da manhã, introduzindo a criança ao hábito completo do café da manhã (se for com os pais, melhor ainda!). Por último, a da noite. Isso tudo, claro, sempre alinhando com o pediatra a quantidade necessária de leite que deve ser ingerida pela criança.

3. Programe-se. É você quem vai controlar o tempo

Quanto tempo vai demorar até seu filho esquecer os bicos? Difícil prever, mas não passar de um mês seria um ótimo limite. Também é importante não “sequestrá-los”, ou seja, tirá-los quando a criança não estiver olhando, pois ela deve participar do processo. “Os pais têm de dizer que estão indo guardar a chupeta ou deixar a criança guardá-la – e sempre em um local que ela tenha acesso”, diz Christine Bruder, psicanalista e idealizadora do berçário Primetime Child Development, em São Paulo. Também é importante que a mudança tenha uma meta na reta final, algo que motive seu filho a se esforçar. Pode até ser um combinado relacionado a alguma data importante ou acontecimento, como adiantar um presente que a criança esteja esperando.

4. Resista, ele vai pedir

Seu filho pode realmente aceitar o fim da era das chupetas e mamadeiras com extrema boa vontade, demonstrar que compreendeu a passagem e parecer feliz. Mas, na hora do aperto... sim, ele pode regredir e pedir. É aí que os pais mais têm que se mostrar firme. Não ceda. Se tirou a mamadeira da água, por exemplo, não volte atrás. Continue com a rigidez a cada etapa da mudança. Seu filho já não está usando bicos? Para essa fase final, o pediatra Alessandro Danesi tem uma dica: “Tire todas as mamadeiras e chupetas da casa, para não correr o risco de amolecer e ceder”.

Tática de guerra

Você seguiu os quatro passos direitinho, mas seu filho dá sinais de sentir muita falta dos bicos. Saiba como se blindar contra as situações que poderão aparecer e onde achar aliados para essa batalha:

Inimigo nº 1: o dedo

Seu filho desistiu da chupeta, mas descobriu que pode chupar o dedo. Nada de pânico. O primeiro conselho é ignorar quanto pode, sempre chamando a atenção da criança para outra coisa. Sabe aquilo do “se contrariar vai parecer ainda mais gostoso”? Pois vale aqui também. Ocupar a mão da criança com brinquedos é também uma ótima saída.

Tiro pela culatra

Tudo bem usar a imaginação para convencer seu filho a largar o bico, mas cuidado para não criar traumas ou estigmas. Aquela tática de falar “usar chupeta é feio” só vai piorar as coisas. Até porque a criança não vai se sentir estimulada a deixar o hábito por causa disso – e a consequência pode ser um estresse ainda maior. E nada de “mamadeira é coisa de bebê” assim, em tom pejorativo: se precisar se referir a isso, opte sempre para o lado positivo, mostrando quanto é bacana crescer e alcançar novas conquistas e aprendizados.

Arsenal escolar

Estar na escola pode funcionar como uma “torcida organizada”. Por ter os amigos na mesma “luta”, há os que podem servir como exemplo, além de ser um ambiente em que a criança tem outras distrações e estímulos (inclusive o de aprender novas formas de lidar com as frustrações sem recorrer aos dois acessórios). Agora, se seu filho for maior de 1 ano e meio e a escola não estiver estimulando o fim dos bicos, vale ter uma conversa com os educadores.

Golpe final

Seu filho desistiu do bico, mas ainda reclama de vez em quando. Experimente “esquecer” a chupeta ou mamadeira, no melhor estilo “sem querer querendo”. É aquela coincidência de ir viajar ou fazer um superpasseio e deixar a chupeta em casa. Não, a criança não precisa saber que a farmácia está lotada delas (e, muitas vezes, ela não está mesmo interessada em uma nova). Assim será uma ótima chance de você e seu filho lidarem com a situação.

Com informações da Revista Crescer.

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